Muito além do Setembro Amarelo

Por Juliana Krebs Aguiar*

O mês de setembro é dedicado a um tema importante e delicado dentro da pauta de saúde mental, a prevenção ao suicídio, pelo conhecido Setembro Amarelo. Em mais de 90% dos casos, o ato de tirar a própria vida poderia ser evitado, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), mas o problema segue grande e entrou para a lista de doenças relacionadas ao trabalho do Ministério da Saúde, junto com abuso de drogas e o burnout, caracterizado por exaustão extrema, estresse e esgotamento decorrente de situações desgastantes no exercício do trabalho, além de outras 160 enfermidades.

Esses dados mostram a importância das empresas nessa questão, que deve ir muito além de campanhas de conscientização nos meses de setembro. Um novo passo rumo à consolidação do papel do mundo corporativo nas questões psicossociais foi dado pela recente aprovação da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). A novidade adiciona ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) a obrigatoriedade de identificar e gerenciar riscos psicossociais, incluindo a avaliação periódica e a implementação de estratégias de prevenção ao assédio e à violência no ambiente de trabalho. Adequações que devem fazer parte da pauta das equipes de gestão de pessoas, recursos humanos e de saúde e segurança do trabalho, com atenção aos requisitos legais.

As empresas são formadas por pessoas, e as organizações causam impactos diretamente sobre elas. Neste mundo repleto de pressões profissionais e pessoais, os índices de ansiedade e depressão estão disparando e impactando diretamente na produtividade, afetando os resultados da empresa e a vida de seus funcionários.
Quando o trabalhador tem sua saúde física e mental íntegra, realiza as atividades com maior rapidez, motivação, assertividade, produtividade e tem mais assiduidade, o que também ocasiona menos desgaste para a empresa.

Para preservar a saúde mental no trabalho, é importante que as empresas mantenham a organização, realizem pausas e intervalos, evitem fofocas, valorizem os profissionais e os colegas, além de dar importância ao bom humor na realização das atividades. As condições de trabalho inseguras devem ser sempre identificadas, eliminadas ou controladas e dependem tanto do empregado quanto do empregador.

Além do cumprimento das obrigações legais relacionadas à saúde mental, as empresas devem reconhecer os profissionais como ativos essenciais, que merecem atenção constante e cuidadosa.

 

* Mestre em Direito de Empresas e Negócios, professora titular do Curso de Direito da Ulbra e criadora da Krebs Aguiar Advocacia.

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