Por Juliana Krebs Aguiar – Fundadora da Krebs Aguiar Advocacia e mestre em Direito da Empresa e dos Negócios
Sua empresa ainda enxerga o RH apenas como um setor operacional? Em 2026, essa visão já não acompanha a realidade. O Dia Internacional do Profissional de Recursos Humanos, celebrado no último 20 de maio, nos reforça como cresce o reconhecimento de que o RH assumiu papel estratégico na prevenção de riscos, na proteção jurídica das empresas e na construção da reputação corporativa.
As relações de trabalho mudaram profundamente nos últimos anos. Novas gerações passaram a valorizar propósito, saúde mental, equilíbrio e ambientes organizacionais saudáveis. Ao mesmo tempo, empresas enfrentam alta rotatividade, dificuldade de retenção de talentos e aumento dos afastamentos por transtornos emocionais. Dados da Previdência Social apontam mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025, o maior número da série histórica recente.
Nesse cenário, o RH deixou de atuar apenas em admissões, folha de pagamento e desligamentos. Hoje, participa diretamente da gestão da cultura interna, da comunicação corporativa, da condução de lideranças e da prevenção de conflitos que frequentemente acabam em ações trabalhistas.
Na prática, o passivo trabalhista raramente surge apenas do descumprimento da lei; ele costuma nascer de relações mal administradas no cotidiano corporativo: metas abusivas, comunicação agressiva, gestores despreparados, desligamentos inadequados e ausência de políticas claras.
A atualização da NR-1 reforçou ainda mais esse cenário ao incluir os riscos psicossociais entre as obrigações empresariais. Fatores como assédio, sobrecarga e ambiente tóxico passaram a ter relevância jurídica direta – e o RH ocupa posição central na implementação das medidas preventivas exigidas pela nova realidade regulatória.
Além disso, em um mundo hiperconectado, a reputação das empresas passou a ser construída também pela experiência dos colaboradores. Ambientes adoecidos impactam não apenas produtividade e turnover, mas também na credibilidade da marca perante clientes e investidores.
Por isso, a integração entre RH e jurídico tornou-se indispensável. Empresas que aproximam gestão de pessoas e prevenção trabalhista conseguem reduzir riscos e construir relações profissionais mais sustentáveis.
Maio é um mês especial para lembrar que valorizar o profissional de RH é reconhecer quem está na linha de frente dos desafios mais sensíveis das organizações: equilibrar resultados, legislação, cultura interna e cuidado com as pessoas em um mercado cada vez mais complexo.